Se tiver resgatado o seu Plano de Poupança Reforma dentro das
condições previstas na lei, não tem de declarar os montantes levantados
neste produto financeiro. Recorde-se que os PPR podem ser levantados em
qualquer altura, no entanto,se o resgate for efetuado fora das
condições previstas, os investidores têm de devolver os benefícios
fiscais obtidos pelo investimento feito no PPR e estarão ainda sujeitos a
uma penalização.
Segundo as informações disponíveis no site do
Instituto de Seguros de Portugal,
um investidor pode resgatar um PPR, sem penalizações, nas seguintes
condições previstas na lei: em caso de reforma por velhice do investidor
(ou do cônjuge, se devido ao regime de bens do casal o PPR for um bem
comum); quando o investidor atingir os 60 anos de idade, em caso de
desemprego de longa duração do investidor ou de um membro do seu
agregado familiar, em caso de incapacidade permanente para o trabalho do
investidor ou de um membro do seu agregado familiar, quando há uma
doença grave do investidor (ou de um membro do agregado familiar) ou em
caso de morte do investidor ou do seu cônjuge (se devido ao regime de
bens do casal, o PPR for um bem comum).
Desde 2013 passou a existir mais uma possibilidade de os investidores
poderem resgatar o seu PPR sem incorrerem em penalizações: a legislação
que entrou em vigor no ano passado veio permitir aos investidores
utilizarem os montantes investidos num PPR para pagarem as prestações de
crédito à habitação. No entanto, esta possibilidade está sujeita ao
cumprimento de alguns critérios. “O reembolso efetuado […] só se pode
verificar quanto a entregas relativamente às quais já tenham recorrido
pelo menos cinco anos, após as respetivas datas de aplicação pelo
participante”, refere a
Lei nº 44/2013
que regulamenta este tema. Além disso, caso a primeira entrega no PPR
tenha sido realizada há mais de cinco anos e 35% das entregas tenham
ocorrido durante a primeira parte da vigência do contrato, os
investidores também poderão utilizar a totalidade dos montantes do PPR
para estes fins, sem estarem sujeitos a penalizações.
Esta questão é hoje especialmente importante porque 2013 foi o
primeiro ano em que foi possível usar o dinheiro aplicado num PPR para
pagar a prestação da casa. Segundo dados da
Associação Portuguesa de Seguradores,
divulgados ontem ao Jornal de Negócios, mais de 17 mil PPR foram
resgatados com o objetivo de pagar as prestações da casa. E se não o
fizeram nas condições previstas na lei estão agora sujeitos a
penalizações.
Se foi esse o seu caso e se resgatou o seu PPR fora das condições
previstas na lei então terá de devolver os benefícios fiscais
usufruídos. Assim, terá de preencher o campo 1002 do quadro 10, do Anexo
H, assinalando os benefícios fiscais usufruídos acrescidos de uma
penalização de 10% por cada ano.
Número: 100 euros
Este é, na prática, o limite máximo que os investidores poderão
deduzir no IRS com as entregas feitas no PPR. Recorde-se que até ao
final de 2010, quem subscrevesse um PPR ou reforçasse o seu plano de
poupança reforma podia deduzir 20% das entregas realizadas nesse ano até
a um limite que variava entre os 300 euros ou 400 euros (consoante a
idade do investidor). Desde 2011 que as regras mudaram. Os benefícios
fiscais foram fortemente limitados e passaram a ser atribuídos em função
do escalão de rendimentos dos contribuintes. Assim, os contribuintes
com rendimentos anuais superiores a 80 mil euros deixaram de ter acesso
aos benefícios fiscais associados às entregas nos PPR, a seguros ou
donativos. Já os restantes contribuintes podem desde então deduzir no
máximo até 100 euros com os investimentos feitos nestas aplicações. Este
valor vai diminuindo à medida que o escalão de rendimentos vai
aumentando.
Fonte:
saldopositivo.cgd.pt/